“Talvez, bem lá na frente. A gente, ainda se encontre…
“Eu corro, mas corro devagar que é pra você conseguir me alcançar.
“Nos primeiros quinze minutos eu pensei que fosse morrer. Coloquei uma música com uma melodia bem triste e uma letra bem masoquista e comecei a cantar enquanto chorava. Eu pensei que não fosse resistir. Sentei-me no canto do quarto e comecei a me martirizar, me culpar pelo que deu errado. Mas isso só nos primeiros quinze minutos. Depois de chorar e de sofrer por antecipação, sequei as lágrimas, lavei o rosto, me olhei no espelho e pensei — ainda não é o fim. E sorri. E imediatamente meu coração sorriu comigo.
“Eu lembro de cada palavra que você pronunciou. Eu lembro de quando você me tratou com frieza e quando me tratou com todo o carinho do mundo. Eu me lembro da roupa que você estava vestindo na primeira que vez que te vi. Eu lembro de tanta coisa… Mas não lembro o que vi de tão diferente e atraente em você que fez com que eu me apaixonasse.
“Mas é melhor assim, sabe? Você no seu canto e eu no meu. Sem muita aproximação, sem muita conversa jogada fora, sem muito tempo pra ver segundas intenções onde mal houveram as primeiras.
“Só por hoje eu não quero mais chorar.
Só por hoje eu espero conseguir aceitar o que passou e o que virá.
Só por hoje vou me lembrar que sou feliz.